Como cobrar por um freelance

Uma dúvida recorrente que vejo em grupos ou que recebo por e-mail é sobre como cobrar por um freela.

Particularmente não faço freelas tem muito tempo e não pretendo fazer mais, porém aprendi alguns métodos bem eficazes no período em que fazia e que funcionaram muito bem.

No decorrer do post vou citar algumas medidas que tomei com base em serviços de webdesign ou exclusivamente de front-end. Obviamente isso pode não se aplicar a outros tipos de serviços como fotografia ou automação por exemplo, mas algumas dicas são bem genéricas e podem te dar pelo menos uma base.

Esteja preparado

Antes de tudo, tenha uma base razoável de conhecimento no que pretende fazer. Não assuma serviços que você não domine ou que não tenha garantidamente a quem terceirizar a parte que não domina. Parece bobo, mas é impressionante a quantidade de clientes insatisfeitos com profissionais da área que simplesmente sumiram na primeira dificuldade. Tenha bom senso e saiba de suas limitações. Aliás, corra atrás de aprender o que não sabe, mas jamais use um cliente como experimento.

Não saber fazer algo é completamente normal, todos passam por isso. Não saber e assumir é sobrinhagem.

Quanto vale a sua hora?

O valor base para orçar qualquer serviço, é saber quanto sua hora vale. Existem duas formas de chegar a esse valor. A primeira se aplica quando você já possui um emprego.

Nesse caso basta pegar seus rendimentos mensais e dividir pelo número total de horas trabalhadas. Um profissional que ganha 3 mil reais por mês (CLT) vai ter um valor/hora equivalente a R$ 18.75 ( 3000/(20*8) ). É bom adicionar nesse caso 50% a esse valor correspondente a hora extra. Você vai estar dedicando horas de trabalho fora da sua jornada e é justo que receba a mais por isso, então o valor passaria a ser R$ 28,00.

Caso você não tenha um emprego, estime um valor base pelo qual você entraria numa empresa. Seja sincero e sensato, não adianta usar como base um valor irreal pois isso pode afastar seus clientes além de não condizer com a realidade. Não adicione o valor da hora extra nesse caso.

Quanto esse freela vai te custar?

Quando você avalia seu valor/hora isso representa o que você vai ter de lucro no projeto. Se você não adicionar os custos do projeto no orçamento, isso vai acabar saindo do seu bolso.

Avalie coisas como energia elétrica, internet, manutenção e compra de novos equipamentos, servidores, ferramentas e softwares. Veja o custo total e adicione ao projeto. Você pode mostrar ao cliente esses custos e justificar essa parte do preço, ou simplesmente jogar no total.

Quantas horas você vai investir no freela?

Avalie quanto tempo vai ser necessário para atender a todos os requisitos do cliente. Pode parecer um pouco complicado inicialmente, mas fica mais simples quando você fragmenta o projeto em pequenas partes e estima em cima disso.

Vou dar um exemplo raso de um sistema para gestão e venda de automóveis.

  • Sistema de autenticação - 12 horas
  • Gestão de veículos - 16 horas
  • Sistema de notificações de interações - 8 horas
  • Site para exibir os carros - 20 horas
  • Páginas estáticas - 4 horas
  • Layouts/protótipos do projeto - 6 horas.

Pegando o exemplo do nosso amigo que cobra R$ 28,00 a hora, esse freela sairia por R$ 1.848,00.

Eu particularmente arredondaria para R$ 2.000,00. É bom ter uma pequena margem de segurança. Você pode ter estimado algo errado e essa margem pode cobrir poucas horas adicionais.

Como cobrar?

Chegamos ao valor de R$ 2.000,00 pelo freela anterior, agora basta pegar R$ 1.000,00, fazer o projeto, entregar e pegar os R$ 1.000,00 restantes certo?

NÃO!

Esse ponto é onde as pessoas costumam errar feio. Cobrar metade no início e metade na entrega é uma das piores formas de negociar com o cliente e existem alguns problemas que comprovam isso.

  • O cliente já sabe quanto o projeto vai custar e já pagou metade dele. Ele vai infernizar sua vida exigindo um milhão de detalhes idiotas e requisitos mal esclarecidos no acordo inicial.
  • Você vai receber uma bolada e passar um tempão (2, 3 meses) sem receber nada. É muito fácil perder o controle do dinheiro quando ele vem esporadicamente e em grandes quantidades.
  • Essa mesma facilidade que você tem de perder o controle com um monte de grana na mão é aplicada ao cliente com o restante do seu pagamento e não são raras as vezes em que ele vai enrolar séculos depois do projeto concluído para te pagar.
  • O cliente pode simplesmente desistir do projeto com 90% dele pronto e você só vai ter recebido 50%.

Se você já fez freelas e cobra assim, provavelmente já passou por algumas das situações anteriores. Conheço um cara, que conhece um cara que terminou um serviço e 3 (TRÊS) anos depois recebeu a resposta do cliente que devia os 50% restantes perguntando sobre o andamento do projeto. Quando questionou sobre os valores pendentes o cliente sumiu para sempre como se nada tivesse acontecido. Esse cara ficou muito chateado com isso. Sério, amigo de um amigo meu.

Esse cara sou eu

OK, mas como cobrar?

Certo, já vimos o jeito amador de cobrar, vamos ao jeito bacana.
Você separou seu projeto em pequenas partes para orçar correto? Então cobre em pequenas partes também. Se o layout do projeto vai te tomar 6 horas, cobre 50% no início e 50% na entrega. Prossiga assim com cada fragmento do projeto até ter tudo pronto e um cliente feliz.

Vou citar alguns benefícios dessa prática.

  • O cliente fica realmente envolvido no projeto e vai assumir as responsabilidades dele com muito mais rapidez.
  • Você pode negociar pequenos requisitos bobos. Quando o cliente descobre que aquela animação extra vai custar e atrasar o projeto em 2 horas, ela passa a não ser mais tão importante assim.
  • Você consegue controlar melhor o seu dinheiro com um fluxo regular e constante. Não adianta ser rei do camarote por um mês e mendigo por 3 né?
  • Se o cliente pular fora, os seus riscos de perder dinheiro e tempo no projeto são bem reduzidos. Apenas algumas horas e não 30%, 40% ou 50% do projeto.

Evite dores de cabeça

Clientes por padrão, são pessoas que vão tentar tirar tudo de você pelo menor preço possível. Lembre-se que em 99% do tempo você também é cliente e provavelmente age assim, logo, não espere nada muito diferente deles.

Por conta disso, tente ter um empresa aberta e procure deixar cada vírgula do que foi acordado com ele em um contrato. Não poupe detalhes.

Caso não tenha condições de formular um contrato, tenha um e-mail extremamente detalhado sobre o que vai ser feito com a confirmação do cliente de que está de acordo com tudo.

Clientes adoram inventar features que não foram acordadas, então é bom ter tudo bem detalhado para poder cobrar por esses itens adicionais ou negar a adição no projeto.

Se não tiver um servidor próprio, procure deixar esse custo e responsabilidade com o cliente. Explique de forma clara as implicações de não pagar a mensalidade. Se possível, tente convence-lo de pagar anualmente junto com o domínio.

Quanto menos coisas associadas ao seu nome ao final do projeto, melhor. Tanto para você quanto para o cliente. Quem já pegou freelas em que o domínio estava registrado no nome de algum desenvolvedor que sumiu sabe que isso é tragédia certa e que o registro.br não facilita a vida nessas horas.

Seja sempre honesto com seu cliente e procure ter uma relação amigável, porém nunca abra as pernas para ele. Se fizer algo de graça uma vez, vai ter que fazer para sempre. Cada linha de código deve ser cobrada e não trabalhe enquanto todos os débitos anteriores não forem devidamente pagos.

Bonus tips

Fazer parcerias com boas agências é muito bom. Você mantém um fluxo constantes de serviços e consegue fazer pequenos projetos que demandam menos tempo, o que significa menos dor de cabeça.

Evite clientes que se acham experts no assunto. Geralmente vão fazer pedidos absurdos com base em coisas absurdas que leram na internet, mesmo não sabendo porra nenhuma.

Mantenha sempre a imagem de profissional especialista. Não deixe o cliente achar que pode palpitar em questões técnicas. O papel do cliente é te mostrar o problema que precisa solucionar. A solução cabe a você. Não seja mais um fazedor de sites.

Aceite somente a quantidade de trabalho que tem capacidade de entregar. Não adianta assumir 5 clientes e não entregar o projeto para nenhum. Vai conseguir se queimar e até ser processado em alguns casos.

Quando estiver com o tempo bem curto, adicione uma taxa absurdamente alta nos novos freelas. Se for pra se matar de trabalhar que seja por uma boa grana. O não você já tem né?

E a última dica é: Não faça freelas. OPA, PERAE…

Sei que expliquei até agora como fazer freelas de forma eficiente, porém como citei antes não tenho mais feito e tenho meus motivos.

Freelas em geral, principalmente pra quem esta começando, significam apenas uma renda extra. São poucas as pessoas que conseguem pegar projetos desafiadores como freelancer. Procure investir seu tempo em produtos que você acredita que vão dar certo e não em sites institucionais cheio de blábláblá.

Quando você toca um projeto seu, não tem pressões externas, pode investir em novas tecnologias sem medo e a satisfação de ver seu pequeno bebê indo pro ar é muito maior do que ver um cliente resmungando do tamanho da logo.

Caso precise de mais dinheiro, invista mais em você e procure evoluir no seu emprego ou no seu negócio.

Rich bitch

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