Meu cliente realmente precisa de um site?

Atenção, esse é um post polêmico. Antes de iniciar o processo de leitura, esvaziem a mente, procurem um lugar tranquilo e preparem-se, porque a mensagem não é das mais agradáveis.

A resposta para a pergunta acima é: Provavelmente não.

Boa parte dos pequenos e médios negócios não precisam de um site. Sabe aquele papinho de “sua marca 24 horas por dia, 7 dias na semana e 365 dias por ano online”, “sua marca presente para milhões de pessoas”, “passe mais credibilidade aos seus clientes”… Então, é furada.

Vamos começar por um quesito básico de qualquer negócio. O marketing.

Entenda o site como uma forma de marketing como outra qualquer. Você investe o dinheiro esperando que tenha um retorno posterior.

Quando uma padaria paga um carro de som para anunciar pelo bairro, isso gera um retorno de investimento, correto? Quando uma escola faz panfletagem na entrada da prova do ENEM, isso também gera retorno. Agora, você já parou para pensar se os dois mil reais investidos naquele site da oficina do João gerou algum retorno para ele? Pois é, você não mensurou os resultados e eles não seriam dos melhores mesmo.

“Como assim Leandro, a internet toda está ali, são milhões de pessoas que podem ver o meu site e vir a se tornar um cliente! É o melhor marketing do MUNDO”

Não é bem assim que a coisa funciona. Os usuários de fato estão ali. Milhões deles, na realidade bilhões, mas isso não é garantia nenhuma de que vão ter interesse no seu site ou acha-lo em meio a tantos outros.

Já pararam para pensar, quantas vezes vocês pesquisaram por cabelereiros, papelarias, oficinas, açougues, mercados e tantos outros pequenos e médios negócios da região na internet?

Provavelmente nunca certo? Em boa parte dos casos você simplesmente conhece o próprio bairro, em outros você pega o seu carro e vai desbravar ou se for novo na vizinhança, pede dicas a vizinha pomposa do 502 (sem segundas intenções é claro).

OPA! Perae, parece que um jovem levantou a mão lá na última fileira.

“Eu sou novo no bairro, não gosto de andar na rua, nem de pedir informações e procuro SIM na internet por padarias no bairro.”

Então amigo, provavelmente você achou algo semelhante a imagem a seguir, e assim damos início a segunda parte desse post polêmico.

SERP padaria

O que posso fazer pelo meu cliente

Todos analisaram a imagem anterior? Notaram algo fantástico nela? Caso não, voltem e analisem por mais 10 minutinhos. Deêm uma boa olhada. É quase um shitbrix.

Não tem nenhum site (independente) no resultado.

Ou são páginas do google plus com direito a SERP com Google Maps ou são diretórios de negócios e serviços. O primeiro site que achei caiu na terceira página, na sétima posição (CTR provavelmente de -3%).

Sabe quanto os 10 primeiros resultados investiram em sua “presença digital”? Isso mesmo, nada.

E o grande empreendedor da terceira página com um site cheio de firulas e conteúdo inútil, por baixo uns mil reais, mais os custos mensais.

Quem ta faturando mais? Quem vai me vender pãozinho fresco nas manhãs de domingo?

Ponto chave

Nesse momento você pode estar com dois sentimentos diferentes em relação a minha pessoa. Muita raiva e vontade de me esganar por ir contra parte do seu ganha pão ou me ama e se deu conta de que o seu papel, enquanto profissional de TI e, por que não, de negócios, é de fornecer a melhor solução para o negócio de seu cliente e isso não necessariamente significa desenvolver um site.

Caso esteja me odiando, compartilhe no facebook usando mensagens como:

  • Esse babaca só fala m@#*$#.
  • Cadê o sindicato para exigir faculdade desses sobrinhos.
  • Não gosta de dinheiro abre uma ONG.

Ficarei muito chateado. De verdade.

Caso esteja me amando, vamos focar em ganhar dinheiro. Você é um profissional de TI. Pode muito bem prestar uma consultoria achando uma solução mais em conta para o seu cliente, tirando o seu também.

Presença digital para pequenas e médias empresas

Em primeiro lugar, crie uma conta no Google Places for Business. Com isso seu site já vai aparecer em buscas locais como “padaria em Ipanema”, desde que, esteja cadastrado com um endereço em Ipanema.

Uma página no Google Plus ajuda muito. Ela vai mudar um pouco a forma como o seu negócio aparece nos resultados de pesquisa. Ninguém usa o Google Plus mas ele serve para deixar seus resultados mais elegantes.

Crie também contas em diretórios de serviços locais como o Apontador e kekanto. Não precisa se limitar aos dois não, existem dezenas de outros, alguns free outros pagos, mas geralmente com um valor bem razoável.

Uma fan page no facebook com um cadastro bem completo pode ser uma boa alternativa mobile, assim como ter cadastro no foursquare. Procure cercar seus clientes por todas as pontas.

E pronto. Provavelmente é o suficiente. Seu cliente não vai gastar nem cem reais ao mês e vai ter um retorno bem maior que um site de dois mil reais. Em cima disso você coloca o seu valor, pela excelente consultoria prestada.

“Achei legal Leandro, mas meu cliente pretende investir mais um pouco de dinheiro. Como posso potencializar seus resultados?”

Quer ser ousado? Ousado mesmo? Crie uma campanha no Adwords com palavras chaves bem limitadas para a sua região e aponte para o diretório com o melhor cadastro ou para a página no Google Plus.

É muito importante que o cadastro nos diretórios e no Google Plus seja muito objetivo e claro. Já que vai ser o ponto alto de sua conversão. Capriche na descrição e nas fotos (um fotógrafo profissional faz a diferença nesses casos).

Segue um pequeno guia do que não pode faltar.

  • Nome do estabelecimento.
  • Nome popular. A Padaria do Manoel Pereira em Rocha, pode ser conhecida localmente como Padaria do Manel.
  • Endereço completo. Caso tenha mais de um, cadastre todos.
  • Telefone de contato. A maioria desses negócios é 100% dependente do telefone.
  • E-mail de contato.
  • Descrição enxuta e objetiva. Caso o negócio tenha um diferencial legal, foque nele. Vale mais um “70% de desconto no corte de cabelo aos domingos” do que um “o melhor cabelereiro de Taubaté”.

PUB em Ipanema no Google Plus

Quer página melhor para pequenas e médias empresas que essa? Fotos, reviews dos clientes, endereço, telefone, layout arrumado e bem ranqueado.

Conclusões

Fiz esse post de forma mais pesada e debochada, justamente para forçar a reflexão dos desenvolvedores. Muitos fazem sites simplesmente por fazer. Tem um molde pré definido (home, quem somos, serviços e contato) do que tem que ser feito e entregam isso como a melhor solução do universo.

Não somos mágicos, não somos deuses e não temos super poderes. Estamos apenas trabalhando para gerar valor para o negócio de nosso cliente e isso nem sempre significa desenvolver um site e cobrar 2, 3, 4 mil reais.

Quando falo de pequenas e médias empresas, parece um cenário limitado, mas não é. Acredito que seja a grande maioria dos clientes que recorrem a um profissional freelancer ou uma agência pequena. Uma empresa maior procura uma boa agência ou tem uma equipe própria de desenvolvimento. E geralmente são os clientes que realmente tem um diferencial que necessita de certa automatização.

Eu não estou me insentando da responsabilidade não. Fiz parte do grupo que pretendo atingir com esse post por alguns anos.

Hoje em dia se pego um freela por ano é muito. Repasso boa parte por não atender ao meu orçamento, outra por não acreditar na ideia do cliente e o restante por não achar necessário o desenvolvimento de um site. Nesses casos, faço uma mini consultoria de graça.

Observem as oportunidades

Até agora fiz algumas críticas, mostrei formas eficientes de atender pequenos e médios clientes com recursos mais limitados porém não disse nada que agregasse muito ao desenvolvedor em si.

Tirei o pão mas não dei nada em troca.

Notaram que os serviços que mostrei como ferramentas melhores para os clientes tiveram essa percepção a anos e criaram uma plataforma em torno disso?

Apontador como diretório de negócios locais, Mercado Livre como loja virtual para pequenos negócios e usuários, Zap Imóveis como diretório de imóveis e tantos outros que pegaram essas oportunidades e tornaram em ferramentas fantásticas.

Será que não da para fazer algo otimizado para a sua região? Ou para um negócio novo que não tenha ainda uma boa plataforma? Será que esse monte de site perdido com informações soltas e sem retorno algum, não poderiam fazer parte de uma aplicação mais parruda com um domínio forte e presença marcante na sua cidade?

É justo cobrar cinco mil em um site, sabendo que o cliente não vai ter o retorno do seu dinheiro?

Obviamente que o conteúdo desse post são conclusões que eu tirei ao longo do tempo e que alguns profissionais com quem converso compartilham, mas e você? O que acha? O post é sensacionalista e exagerado ou tem um pingo de verdade?

Comentários